20 de fevereiro de 2013

O monte



Da areia úmida que sentiu há algumas horas o toque salgado do mar, gostava de fazer um monte. Todos os dias após a caminhada matinal contemplava a vista juntando entre as mãos o seu monte. Enquanto moldava o monte pensava em tudo que gostaria de aglomerar, assim, no mesmo espaço físico, no mesmo monte. 

Aliás, monte era uma palavra que gostava muito. Tinha um monte de amigos, um monte de primos, um monte de planos, já havia lido um monte de livros, visto um monte de filmes, conhecido um monte de lugares, tinha um monte de histórias para contar e, se pudesse, juntava todos esses montes em um monte só na palma da mão.

Mesmo sabendo que era impossível ter ao alcance das mãos um monte com todas as pessoas, momentos e experiências – boas e ruins – que a tornavam o que era: uma pessoa de verdade, dessas cheias de defeitos e qualidades. Sabia que carregava na alma, na pele e na memória esse monte. Pela posição da sombra produzida pelo monte de areia, soube que era hora de ir para casa, e seguiu tranquila, pois sabia que mesmo que uma onda forte passasse ali, o monte sempre existiria e seguiria sendo o singular de todos os seus plurais. 

Um comentário:

  1. Eu tenho um monte de amor por você! Um monte de alegria ao ler isso. Um monte de amizade a lhe dar :)

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