17 de setembro de 2012

Oração contemporânea


Imagem Claudia Rogge

Assista novelas, não banque a Tieta
Recorra à autoajuda e a etiqueta
Se molde, se lance como tem que ser
Segure-se e force - não deixe arder
Esqueça que pode o todo mudar
Ouça o refrão que vai te educar
Ordene seus músculos, controle o instinto
Siga devagar mesmo que faminto
Não rasgue, não grite, não deixe escapar
Seus medos, seus sonhos, o que quer falar
Execute o ofício com ritmo preciso
Camufle o que quer, se mostre indeciso
Sufoque a vontade de sentir prazer
Se morda, se amarre, esconda o querer
Respeite a hora de desligar a mente
Se estampe feliz; seja convincente
Verifique, à noite, se fechou a porta
E agradeça mais um dia de vida morta

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