15 de agosto de 2012

Os fins justificam os começos




A fumaça fazia o ar ficar denso e ao mesmo tempo rarefeito, estabelecia um balé de tórax ofegantes, ao mesmo tempo em que, suprimia muitos pudores que ainda insistiam em sair de casa à noite. Os personagens noturnos são muito diferentes dos atores que os interpretam, esses geralmente vivem sem a dramaturgia durante a luz do sol. Cada um com a sua história de fins e começos. Cada um procurando manter ou pontuar um dos dois estados em que a vida sempre se encontra, cada um com sua aflição e seu encanto. 

As cabeças chacoalhantes não pensam o quanto esses ciclos são constantes, dos donos delas poucos são os que reconhecem que atêm seus fins por medo do novo início que vem na sequência. Mas os fins são sempre os sopros de começos, foi o fim da gestação que fez, de todos ali, vivos; foi o fim do amor que fez aquela se arrumar e conhecer gente nova; foi o fim da bebida que fez aquele pedir outro sabor; foi o fim do que podia ser dito que fez aqueles se beijarem; foi o fim das músicas que fez o cantor seguir viagem em outra estrada.

E se esses assombros que o fim provoca pudessem ser decretados proibidos, a parte cristã das cabeças chacoalhantes diria que a sua fé teve origem na morte de seu Deus, outra parte diria que a sua liberdade veio à custa do sangue dos que lutaram por ela. Sem compreender que os fins estão sempre por aí se preparando para provocar novos começos, a terceira parte continuaria chacoalhando a cabeça, até o fim da noite que se dá no minuto que antecede o começo do dia.

2 comentários:

  1. Pensei em tantos fins e começos lendo esse texto q vc nem imagina.
    Uma coisa é certa, a gente tem tanto medo da incerteza dos novos inícios que mtas vezes a gente fica presa no fim de algo só por falta coragem de começar de novo.

    ResponderExcluir
  2. "A vida é isso aí", é o que costumo ouvir de meus amigos aqui do prédio. É o que eu pensei ao ler o texto.
    Movimento, início, fim, recomeço, outro fim... Um círculo vicioso o tempo.
    Agora, pergunto: tudo tem seu tempo?

    ResponderExcluir