25 de junho de 2012

Quem fala? É da Terra?

Deu um suspiro de espanto ao notar quão arenoso era o chão da lua, e como era bonito admirar a terra de longe. Não se sentia assim desde que acordara no meio da madrugada na casa de estranhos. Será que os marcianos ainda estavam lá pelo globo azul? E seus amigos teriam escapado? Não fosse o meteorito ter partido tão depressa conseguiria dar uma carona para o Léo. Léo era desses que inflava o peito pra mostrar sua coragem, e o resultado dos hormônios artificiais no seu corpo, mas chamava a mãe por qualquer resfriado. Imaginou o sufoco do rapaz diante do ataque alienígena, mas ainda assim, agradeceu por ele não estar na garupa quando a madrasta ofereceu alfajor havana envenenado. Seria mais difícil para ele resistir, do que foi para ela. Maçãs não eram mais proibidas, não atraiam mais mocinhas que viviam de dieta na luta pelo novo estereótipo de beleza que pairava na terra, e a bruxa sabia muito bem disso.

Ela saltou crateras até encontrar a passagem que saía em Machu Picchu e achou ótimo, pois sabia da rincha entre os marcianos e os Incas. Lá ela estaria protegida. Se o Léo conseguisse chegar a São Tomé das Letras e pegar aquele atalho dentro das grutas eles poderiam até fazer um piquenique na Republica do Peru até a terra voltar ao normal. Mas ele não tinha essa coragem... Não andava nem de metrô por causa do pânico de ficar embaixo da terra. Será que os homens marcianos eram mais destemidos? Será que eles aceitavam amar, se relacionar, com menos medo que os humanos? Começou a cogitar um contato imediato. Mas logo pensou que verde não era lá sua cor preferida.

A caminho de Machu Picchu, encontrou umas amigas do movimento feminista que haviam falado com a líder marciana. Espantou-se ao saber que a mulher marciana não era julgada pelas roupas que vestia. Que se acontecesse algum ato de violência com elas a culpa era toda de quem o cometeu e não delas mesmas por terem provocado. Achou as histórias incríveis, pensou em aproveitar o feriado de 7 de setembro para conhecer o planeta. Quem sabe assim, não arrumava motivo melhor para comemorar a independência, pois essa que era alardeada aqui há quase dois séculos não fazia jus ao nome. Servia apenas para se libertar da cor de gesso adquirida no inverno e se aprisionar no engarrafamento da região dos lagos no Rio de Janeiro.

Encontrou um balão que a levaria até a patagônia e achou melhor mesmo diversificar o programa. Já em terras frias teve medo por não estar acompanhada, e pensou no quanto lhe havia sido imposto, por todos esses anos, que solidão sempre deveria vir acompanhada do medo. Viu um vulto se aproximando e um barulho crescente que chegou a ficar ensurdecedor “TANANANà TANANANà TANANANANÔ. Temeu um ataque, pensou que pudesse ser um xingamento intergaláctico. Mas era só seu despertador anunciando que mais um dia começaria, e que as aventuras apresentadas por ele girariam em torno de enfrentar o metrô cheio, a pilha de trabalhos na mesa, a fila do supermercado, as teias de aranha no teto, as roupas sujas e a contagem dos minutos até poder sonhar novamente que faria e seria quem quisesse.

3 comentários:

  1. amiga, se vc sonhou isso tudo mesmo deve ter acordado com a cabeça saindo fumacinha. rsrsrs. Mas ir para Machu Picchu n seria uma má ideia, ehm? Que tal colocar no nosso roteiro de viagens. =)

    bjos

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  2. Gente, que luxo um sonho assim! Rico e com passaporte carimbadíssimo hehe. Já me contentaria de conseguir lembrar dos meus sonhos.

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  3. hahaha muito bom!

    no meio do texto eu já estava pensando duas coisas:

    1) Que texto esquizofrênico!;
    2) Que droga potente!

    Aí, a última frase mostra o que era: um sonho, destes loucos que costumo ter também!

    Seria bom passar este texto/sonho para um psicanalista, hein?! hahahahaha ;)

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