27 de novembro de 2011

Medo de ser medo


Não é medo, nunca é. O que se chama de medo, pavor, horror, pânico é apenas o hábito de ser e fazer sempre igual. O traje do diferente, anormal, desconhecido, pode ser acompanhado por esse adorno prisional, que subtrai os movimentos de quem o veste completo.

Não é medo, mas pode ser. O medo é o que ninguém quer sentir, mas sempre diz sentir quando é a única justificativa para a falta de coragem de viver o impalpável.

Não é medo, e é. O medo é a água que prefere seguir a correnteza na lama espessa do rio poluído, à liberdade de ser parte de um afluente límpido e estreito, que pode um dia secar. Por medo de virar vapor, ela entrega suas moléculas à terra, sem se dar conta que vapor um dia pode ser tempestade.