10 de novembro de 2010

Enquanto se move


Henry Hingst

Enquanto se move todo o canto que comove
Toda flor sonha enfeitar andor
Toda a vida almeja ser metade esquecida
Toda lembrança condensa o tempo que enseja a dança

Enquanto se move toda água que chove
Todo furor procura seu abraçador
Toda partida se arrepende na despedida
Toda esperança pede para si: calma e temperança

Enquanto se move todo o sabor que se prove
Todo o se por esconde um pedaço do que for
Toda torcida aos berros não pode ser ouvida
Toda bonança carrega para sempre sua herança

Enquanto se move todo o abalo que promove
Todo o interior quer ir pra fora, quer se impor
Toda idéia nascida pretende ser acolhida
Toda andança justifica cada palavra que se lança

Enquanto se move o que partiu quer ficar
O que confundiu quer se explicar
O que é difuso não quer falar
O que é promessa quer seu altar
O que é desejo quer realizar
O que é fogo quer assoprar
O que é verso quer terminar

6 comentários:

  1. Mattosquelice intensa, profunda, ritmada e estruturada como sempre de belas palavras...

    O movimento sempre há de acontecer para todos, uma hora ou outra. Difícil é esperar. Mas acho que essa é que é a lição: a espera do movimento.

    AMO Mattosquela!

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  2. Quando as palavras são belas e completas a única coisa que pode aplaudir é o silêncio.

    Permanecerei lendo e relendo essas palavras em paz.

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  3. Gostei muito da rima no próprio verso. Tb gosto do ritmo nas estrofes, com os versos começando com a mesma palavra ou expressão.

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  4. Amei... alias, amo tudo que vem de você! Saudades...
    Beijinhos...
    Anne

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  5. Boa expressão poética! Também pode ser encarada pela velha questão filosófica-existencial sobre permanência e mudança. Como costumo dizer: tudo o que muda a minha volta, volta para mudar tudo em mim.

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