18 de outubro de 2010

O tempo ensina


McKenna P

O tempo ensina; o tempo acalma; só o tempo pode curar. Se alguém aí nunca disse ou ouviu qualquer dessas frases que atire a primeira ampulheta. Mesmo sabendo que é a mais pura verdade, em vários momentos esses dizeres se tornam tão doídos, tão inexatos, tão questionáveis, que ficam tão difíceis de serem ditos quanto ouvidos.

Afinal, que tempo é esse que nos tira algo ou alguém, em velocidade tão superior a que nos é permitido sua presença? Que tempo é esse que nos devora? Que nos rouba sonhos? Que enruga? Que maltrata? Que distancia? Que adoece? Que esquece? Que é efêmero quando se quer que fique mais? Que passa devagar quando se quer que passe logo?

Esse tempo é o mesmo tempo que ensina, como bem dito lá em cima. As ausências se tornam dores, que de tão doloridas se tornam marcas, que de tão marcadas se tornam princípios, que de princípios dominam o presente e ocasionam os novos fins. Sim, os fins são os culpados por outros fins, por novos fins. Os fins modificam nossos caminhos, nos fazem questionar como foi a conduta até então, sacudir a poeira. Os fins podem ser confundidos com reinícios que nos são permitidos ter por toda a vida, graças ao passar do tempo.

Aprendemos então com o tempo que não é preciso se perder para saber o quanto é bom se ter. Que degustar o tempo é a melhor maneira de não ser devorado por ele. Que os sonhos não são roubados pelo tempo, nós é que nos apropriamos muito deles, devemos saber que é preciso largar alguns sonhos pelo caminho, para sonhar outros. Que as rugas são as maiores provas físicas de experiência. Que nós é que maltratamos o tempo deixando que ele passe sem dizer ou fazer tudo que poderíamos. Que só sofre pela distância quem já teve algo tão bom por perto que deixou saudade, tanta gente passa a vida toda sem saber o que é isso...

Assim é possível até mesmo crer que as enfermidades, na maioria das vezes, são estalares de dedos do tempo para nos atentarmos ao nosso corpo e a nossa mente. Que o tempo jamais esquece quem não se esquece dele. E que o certo é só deixar o tempo passar devagar do momento que se enfrenta uma dificuldade até se recuperar o compasso. Passa rápido o tempo bem aproveitado, bem vivido. E corre macio o tempo de quem aprende a continuar andando, mesmo nas quedas.

6 comentários:

  1. Ai, pegou pesado!!!! Eu que o diga a força do tempo sanando minhas feridas... Gostaria que realmente sanasse as feridas de todo mundo... de todos que sofrem perdas... sobretudo as mais estúpidas.

    Mas ainda bem que tem o outro lado do tempo. O de saborear os instantes! Procuro levar minha assim... SABOREANDO OS MOMENTOS!

    Nota 10, amiga!!! Se superando a cada novo post...

    Beijos!!!!!

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  2. O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu para o tempo que não tinha tempo de ver quanto tempo o tempo tem.

    ô tempo q passa rápido quando estamos com o amor de nossas vidas contemplando o mar.

    ô tempo q passa muito devagar, se arrastando, quando perdemos aquela pessoa q era nossa referência de vida e nos ensinou tudo.

    ô tempo estranho, ô tempo bom, ô tempo relativo.

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  3. Acho que estou assistindo a transformação de nossa amiga. Tal qual a borboleta... Ela já virou a borboleta ou está se tornando?
    A maturidade de seus posts, com graça e qualidade, cada vez mostram mais que esta amiga veio ao mundo para contar algo para os outros.
    Fá, obrigado por nos estar contando coisas. Obrigado mesmo.

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  4. Esse tempo que eu tanto quero que passe...
    Pra mim e pra tantos...

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  5. Esse negocio de tempo é complicado, aomesmo tempo q eu quero que tudo passe logo, qd me dou conta de q passou, pensou em tanta coisa q fica pra traz qd ele passa. aí da vontade de voltar tudo de novo. Essa é a vida amiga tudo vai passando, o tempo, as coisas boas e as coisas ruins, e outras vão vindo pra passar tb.

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  6. Sêneca relata o que Aristóteles escreveu certa vez: "A Natureza concede aos animais um tempo de vida tal, que lhes permite ver passar cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para realizar muitas e grandes coisas, fixa um limite mais breve". Aí, Sêneca começa a discorrer sobre a vida: "Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai. Desse modo, não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. Não somos privados, mas pródigos de vida. Como grandes riquezas, quando chegam às mãos de um mau administrador, em um curto espaço de tempo, se dissipam, mas, se modestas e confiadas a um bom guardião, aumentam com o tempo, assim a existência se prolonga por um largo período para o que sabe dela usufruir".

    Ai, ai, Fá... depois que li isso no livro "Sobre a brevidade da vida", de Sêneca, agora, lembrei desse teu post. Aí vim correndo postar esta parte... ;)

    :)

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