28 de outubro de 2010

A ciência da paz



Respire fundo, conte até 10, sinta o pulmão se encher de ar – que fique claro que isso não é uma aula de ioga. Não se importe com o tempo que irá perder lendo essas linhas, assim como eu estou tentando não me importar com o tempo que estou perdendo escrevendo. Não se preocupe com as milhares de janelas que piscam no seu computador nesse momento. Nem com a quantidade de tarefas que ainda precisa fazer no dia de hoje. Apenas pare um pouco.

Já pensou em quanto a gente cobra pressa e agilidade em tudo que nos envolve? Já reparou quantas vezes nosso motivo de desagrado é justamente essa cobrança se rebatendo sobre nós? O trabalho é para ontem, as roupas limpas para antes de ontem, as contas pagas para semana passada. E o tempo decide por si só andar na velocidade da luz, talvez atraído pelo brilho que a bonita carrega, e aí a gente decide que o melhor é seguir os dois vida a fora.

Então um belo dia o tic tac do relógio decide nos dizer: “Não adianta, não há o que você faça que possa acelerar esse momento”. E então a gente descobre que viver acelerando aumenta nossa habilidade em vários critérios, mas nos tira o dom da paciência. E agora? Parar? Respirar? Contar até 10? Sentir o pulmão se encher de ar? “Tá” de sacanagem né? Isso é o que, ioga?

É... Essa desabilidade causa uma revolta interna, a gente quer que passe, quer que chegue, quer resposta, quer resultado. Mas será que a gente quer isso tudo mesmo, de verdade? Com toda a nossa vontade? Será que quando passa, chega, tem resposta, tem resultado a gente aproveita como deveria? Ou arruma outra coisa para querer que passe, chegue, responda, resulte?

Acho que o bom mesmo é: Parar; às vezes você está correndo tanto que nem percebeu que corre de mãos dadas com o que deseja que passe por ti. Esperar; de repente o que você quer que chegue está vindo em sua direção, mas no ritmo dele, um pouco mais devagar que os seus passos largos, por isso ele nunca te alcançará. Refletir; quais respostas você quer, talvez seja o caso de reformular as perguntas.

E os resultados... esses sempre chegam e chegam de acordo com as nossas ações. Pode ser que falte ficar mais amigo do tic tac e observar que ele não é assim tão ruim. Quem sabe assim encontre a paz, quem sabe até entenda a paz? E aí sim receba de volta o dom da paciência, afinal ter paciência é ter a ciência exata da paz.

6 comentários:

  1. Lindo!
    Fico tão orgulhosa de ter essa amiga escritora-poetiza-editora-jornalista-dançarina-IRMÃpreta!

    E amei aprender a ter essa paciência com você.
    SIM, foi a Mattosquela quem me ensinou a ter paciência, junto às provas enviadas pela vida.

    TE AMO sua talentosa paciente!

    ResponderExcluir
  2. Eu já achei q paciencia era um dom, que nascia com as pessoas, hj eu tenho certeza, paciencia é sim, um dom, de fato, que poucos tem, mas que pode ser desenvolvido por qq um@. E eu aprendi a ter, na marra, rsrs, mas aprendi.
    As vezes até é bom ser impulsiv@, compulsiv@, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, agitação é bom, mas ter paciencia é fundamental, sempre.

    Bjos tchuca, sds de vc.

    ResponderExcluir
  3. Bem... depois que ouvi uma frase - quase que ameaçadora... na verdade, de fato é ameaçadora -, vi que existe algo para além da paciência. A frase é "não confunda minha calma com minha paciência". Neste sentido, acabo por considerar que a calma é maior que a paciência. Que a paciência pode, após algumas inquietações, ir embora... Já a calma... está mais para o campo da paz.
    Bem, cá estou rebatendo o conceito de paciência de nossa amiga, não é verdade? Mas rebato com um outro: o de ser calmo.
    Talvez, no fundo ou para outra pessoa, sejam a mesma coisa. Mas, para mim - um racionalista ao extremo às vezes -, são duas categorias diferentes.
    Em todo caso, quero agradecer pela calma e serenidade (lá veio outra categoria...) que nossa amiga sempre nos brinda. Haverá o dia que a veremos subindo nas tamancas? Difícil, só algo muito grave, imagino. Até pq sou, creio, do mesmo time que ela. Poucas situações tiraram-me a calma, paciência, serenidade, etc...
    Enfim, vejo que nossa amiga gostaria de ler o mesmo livro que estou lendo atualmente. Talvez seja um bom presente ;)

    ResponderExcluir
  4. POTA QUE O PARIU!!!! Vai escrever bem assim na... ah, deixa de palavras feias! Tantas lindas que vc escreveu... O dia que eu for editora novamente de uma revista, se esse dia chegar (olha o tic tac aí, rsrs), vc será minha colunista. E Martha Medeiros que se segure!

    Olha, não sei nem o que dizer de seu texto. Me fez refletir tanto, que o tanto é pouco (como bem diz um poema do meu irmão Luiz Fernando Prôa). Vou ter que reler, reler e reler (sem pressa), pra poder saborear e saber que não há desperdício de tempo nisso... só ganho.

    Beijos imensos!

    ResponderExcluir
  5. A paciência realmente as vezes falta não é? Vontade de dar um grito, mandar tudo pra aquele lugar e chutar o balde. Mas é aí que somos testados. A paciência é uma virtude. De poucos. Mais ainda assim existem momentos de paz mesmo quando estamos em ebulição.
    Contemplar o mar, ouvir passarinhos, risos de criança, criança dormindo, gargalhadas de uma pessoa querida, a natureza de uma maneira geral traz isso para nós.

    E como você afirma, eu também acredito que esses momentos de falta de paciência são exatamente para isso mesmo: parar,esperar e refletir.

    Esperemos e aguardemos o momento belo e profundo que com certeza está por vir.

    bjus amada! Amo muito!

    ResponderExcluir
  6. Eu também acredito que as peripécias e as expectativas do mundo corrido que vivemos hoje seja um dos grandes responsáveis pela falta de calma, paciência, serenidade, etc. E, muitas vezes, somos apenas empurrado por esse fluxo invísivel que praticamente nos ordena a seguir sem ao menos raciocinar, ou mesmo ter ciência, do que está acontecendo. E quando algo, ou alguém, interrompe esse fluxo, perdemos a paciência.

    Contudo, acho importante que haja interrupção de forma brusca mesmo na vida de alguns, porque nem todos conseguem olhar pra dentro de si e, tão conscientemente, parar, esperar e refletir.

    Eu sou daqueles que seguem a linha da Teoria do Caos (aquela do efeito borboleta) numa forma humanística. Ora, se eu perco a paciência em determinado momento do meu dia, gritando com alguém, quebrando algo ou fazendo algo ainda pior, essa ação gerará uma reação nessa pessoa que muitas vezes pode optar tb pela falta de paciência e isso irá se prolongando cada vez mais, reverberando pra frente até perder de vista. Logo, não vale a pena ficar preso nesse ciclo vicioso e auto destrutivo.

    Então temos que a melhor alternativa, sem falar em moral, ética e outros escopos, é optar pela paz mesmo, pela paciência, pelo respeito mútuo.

    Parabéns pelo post linda, está demais hein?
    Beijão

    ResponderExcluir