17 de setembro de 2010

Tudo vale a pena?

Foto: M Nota

O que não se faz valer é o que não vale a pena? Ou é só uma manobra usada por nós, para não assumirmos, de uma vez por todas, que não temos a capacidade de fazer valer a pena, de “mergulhar”, de “se jogar” sem expectativas? Fernando Pessoa diria que “Tudo vale a pena quando alma não é pequena”, eu, pedindo perdão pelo clichê, assino embaixo, temendo o autodiagnóstico de “nanismo n´alma” até concluir o presente texto.

Quando dizemos que algo vale a pena significa dizer que compensa o sacrifício para conquistá-lo, certo? Tão logo, esbarramos em outra expressão: o “se fazer valer” que seria atribuir ao objeto de conquista a obrigação de se afirmar merecedor de esforço. Tornando, desse jeito, comum a frase que pronunciamos desde pequenos quando não alcançamos algo: “Eu não queria mesmo”. A partir daí entramos em uma enorme dança de parâmetros, na qual se torna difícil diferenciar quem dá o passo mais belo e o mais atraente: o conformismo ou a interpretação positiva dos fatos? Você prefere dizer que toda a situação apontou para aquele resultado porque de fato não valia a pena; ou dizer que tentou, independente das consequências e resultados?

A frase de Fernando Pessoa, já citada, entraria nessa roda para suscitar diferentes interpretações a respeito do tema, eu explicaria que: tudo vale a pena se você souber ver sob diferentes pontos de vista. Isso fornece um alívio, baseado na lógica de que o “fazer valer” só funciona em primeira pessoa, é você quem torna valiosos todos os seus atos e conquistas e não o contrário. Parece complexo, porque abre espaço para os diferentes ângulos com dos quais podemos visualizar uma circunstância. Coisas que amarguramos por anos; que tememos por décadas; que deixamos de dizer; de fazer. Tudo, tudo mesmo, vale a pena ser feito. Pois se não der certo, dali há algum tempo, saberemos, até mesmo, o propósito daquele “erro” ou “derrota”. Cabe ainda uma avaliação pessoal quanto a em que se baseia o seu “não deu certo”. Afinal, o que seria mesmo certo? O que você estabeleceu à partir das suas expectativas? O que a sociedade impôs como ideal? Ou o que sua “pequen’alma” o limita a ser? Quanto a dimensão da minha... A dúvida permanece após o ponto final.

9 comentários:

  1. Só uma frase define a dúvida: "A dúvida nos salva de certezas enganadoras" Arnaldo Jabor.

    Ponto final com dúvida, dúvida com ponto final.

    ResponderExcluir
  2. Bem, a maturidade me fez ver que nem tudo vale a pena... O arrependimento é algo muito ruim. E quando a gente mete os pés pelas mãos, fazendo algo pouco louvável porque tudo é válido, pode se arrepender brabo depois...

    Porém, veja bem... Fernando Pessoa disse que tudo vale a pena quando A ALMA NÃO É PEQUENA. Na minha concepção, quem tem uma alma grande (evoluída) faz escolhas mais acertadas. E assim não vai ter tantos motivos de arrependimento depois. Nesse caso, tô com Pessoa e não abro!

    O problema é que a alma da maioria de nós insiste em ser pequena... Aí enfraquece, rsrsrs.

    Beijos, matusquelinha querida!

    Da matusquelona sumida!

    ResponderExcluir
  3. AMEI e super concordo!

    "Tudo vale a pena se você souber ver sob diferentes pontos de vista."

    ResponderExcluir
  4. Todas as suas escolhas, sejam quais forem, SEMPRE, terão consequências positivas e negativas!
    Bjuxos!

    ResponderExcluir
  5. "Faça tudo valer a pena, a vida é tão imensa e ao mesmo tempo é tão pequena..."

    ResponderExcluir
  6. "Mais vale tentar e errar do que não tentar" e "Saber o que é o certo e não fazê-lo é a pior covardia foram frases que me "moldaram" ainda nos meus anos de adolescente. Aquela fase em que estamos construindo nosso caráter, personalidade, acredito... Também sempre fui uma pessoa ponderada, sensata. Assim me veem os amigos, importante dizer.
    Muito por conta daquelas duas frases, deixei de fazer certas coisas e insisti em fazer outras coisas. Coisas que eu via que seriam erradas para mim ou para os outros, eu não fazia. Exemplo: nunca quis experimentar cigarro e drogas, pq achava que era errado. Nunca fiz. Caretice? Pode ser na percepção dos outros e mesmo na minha. Mas... Optei por fazer o que eu achava ser certo - para mim.
    Outro exemplo: eu tinha certeza que jamais teria um romance com uma menina que eu me apaixonei no colégio. Até pq uma amiga em comum já havia me dito que não rolaria. Ainda assim, usei a frase "mais vale tentar e errar do que não tentar". Comprei um belo buquê de rosas (amarelas e vermelhas: amizade e amor, respectivamente), escrevi um ainda mais belo cartão assinado e... enviei para a casa da menina. Sem alarde algum. Não deu em nada, como eu já esperava. Mas nada no mundo me faz esquecer o que eu senti quando bateu o horário de 16h (que era o horário que pedi para entregar) e tampouco a conversa que tive com ela no dia seguinte. Ou seja: não me arrependo.
    No entanto, também jogo no time dos que pensam que nem tudo vale a pena, que, sim, podemos nos arrepender de coisas que fizemos - e não apenas daquelas que não fizemos.
    Uma que fiz e me arrependo completamente: ter namorado antes de beijar uma colega de faculdade. Na verdade, antes de criar um vínculo, uma intimidade...
    Se esta experiência que me arrependo me fez aprender alguma coisa? Sim, mas será que valeu a pena? À mim, acredito que não. Eu poderia ter vivido sem este aprendizado, principalmente porque não teria magoado uma pessoa muito legal.
    Lembro-me agora de Nitzsche e o que ele dizia sobre ressentimento, sobre o passado que nos aprisiona... "Assim eu quis" x "Aquilo que foi". Que o homem, para uma redenção, transforme "aquilo que foi" em "assim eu quis"... Por sinal, ler "A Genealogia da Moral" é um ótimo exercício para amadurecer.
    Enfim... Acredito que podemos nos arrepender, sim, daquilo que fizemos; mas também acredito que podemos ter uma nova atitude frente àquilo que já nos arrependemos. E mais: como cientista social, devemos, sim, relativizar tudo. Ter outros pontos de vista. Certo ou errado? Direita ou esquerda? Também uma "terceira via" -> afinal, sou ponderado, sensato... centrista?
    Mas que jamais esqueçamo-nos daquilo que fomos, somos e que desejamos ser.

    ResponderExcluir
  7. Amiga, que texto lindo!!! Como você escreve bem. Fiquei bem tocada com o texto. Engraçado, tenho uma poesia que fala "faça valer a pena"....eu tinha 17 anos qdo escrevi...rsrs
    Aqui vai, recordar é viver...rs



    Faça valer a pena

    Faça valer a pena
    Cada passo que foi dado
    O beijo que foi roubado
    A sina que é se viver

    Faça valer a pena
    Cada lágrima descida
    Cada chance não perdida
    Aquilo que não se quer esquecer

    Faça valer a pena
    A história que se vivenciou
    O sonho que não se acabou
    A esperança que se quer ter

    Faça valer a pena
    As feridas do caminho
    A ternura, o carinho
    E o amor que sinto por você


    Tô dedicando pra vc, amiga, que eu amo muito e que sempre fez valer a pena nossa amizade!!!!!

    ResponderExcluir
  8. Oi querida. Tudo vale a pena, desde que não seja para propositadamente magoar ou ferir alguém. Mesmo as escolhas erradas, valem a pena. Tudo é vida, nossa vida. Depois olhamos para trás e podemos dizer, parodiando outro grande poeta, "Confesso que vivi".

    Das escolhas erradas, só posso dizer que foram erradas, depois de um tempo. Delas não me arrependo. Fazem parte do meu aprendizado. Contínuo e eterno.

    Beijo grande

    ResponderExcluir
  9. Tenho essa frase tatuada e pra mim significa que tudo vale a pena se nossa alma for grande o suficiente pra acomodar as consequências, por isso não importa a decisão que a gente tome... se soubermos conviver com ela e acharmos que é o certo, então vale a pena!

    ResponderExcluir