20 de agosto de 2010

Para virar uma estrela



Quando eu era pequena gostava de virar cambalhotas. Muitas, várias, mais e mais cambalhotas. Até o rosto ruborizar completamente, sem parar, como se fossem as últimas, mais e mais cambalhotas. Se ia para a casa da minha avó então... promovia com meus primos o campeonato de cambalhotas em colchonetes. Muitas cambalhotas depois eram analisados a harmonia, a retidão, o enroscar, o desenroscar, e claro, como o “atleta” caía no final. Sim, porque não bastava a acrobacia por si só ser bem realizada, tinha que ter leveza e graça no conjunto da obra.

Um dia estava com aquela tontura devido à uma série infinita de cambalhotas, enxergando tudo duplicado, ofegante, rosada e um pouco suada. Quando de repente, uma amiga virou uma “estrela”. Como ela poderia, diferente do “cambalhotar”, se equilibrar nos braços esticados, com o corpo igualmente esticado, projetando-o para o lado, e cair bem longe de onde iniciou a acrobacia e de pé? Como poderia abandonar a cambalhota por algo muito mais incrível e mágico, assim do dia para a noite? Como aprendeu aquilo? Em pouco tempo ela virou o centro das atenções na praça, criança nenhuma queria saber da cambalhota. Juntei todas as minhas preciosidades – ioiô; bambolê e um boneco do comandos em ação quebrado (único que meu irmão permitia que eu tocasse) – e dei no pé. Aquela garota não mostrava apenas mais uma brincadeira que havia aprendido, ela me desafiava. Precisava ir embora o mais rápido possível, digerir aquela estória e pensar no que fazer à partir do fim da importância da cambalhota.

Cheguei em casa, me despi do meu despeito infantil, e obviamente, me pus a tentar fazer a acrobacia. Quebrei um anjinho, na falta de cola o restaurei com esmalte, e jurei para mim mesma que minha mãe nunca perceberia que a mão dele a partir de então teria a palma virada ao contrário. Tentei mais e mais vezes, acho que esbarrei em tudo que possuía quinas na casa, e quando estava prestes a desistir, consegui! Consegui! Consegui! Estrelas, estrelas, mais e mais estrelas. Muitas, várias, mais e mais estrelas. Até o rosto ruborizar, sem parar, mais e mais estrelas. Sugeri a minha amiga que lançou a moda (desafio) que agora éramos uma dupla perfeita, deveríamos apresentar a estrela a todos e dizer aos sete cantos que a cambalhota era coisa de criança. Então assim foi, nos apresentávamos no recreio, ensinávamos a técnica aos coleguinhas e sabíamos que dominávamos a nova arte, pelo menos naquele pedaço de chão.

Bem, hoje eu sou um adulto que nem sabe se consegue virar uma estrela, nem sequer uma cambalhota. Não faço isso há tanto tempo... Mas o valor dessa lembrança está em poder dizer que essas coisas tão pequenas, simples e esquecidas, já representaram grandes desafios, renderam grandes seções de risos e felicidade e passaram. Passaram para me deixar ver que não eram inatingíveis, eles são sempre superáveis, por maior que possam parecer. Não se pode um dia morrer por um prazo que não cumprido, no outro morrer por uma prova, no outro morrer por ter milhares de tarefas da casa pra fazer, no outro morrer por sentir muita saudade. Afinal esses são os desafios atuais, e aos poucos eles passam também, nos fazendo lembrar que o bom da vida mesmo um dia já foi “cambalhota”, depois virou uma “estrela”.

9 comentários:

  1. eu nunca consegui vencer o desafio da estrela :(
    mas cambalhota eu do até hj... hehehe de frente pra tras e de tras pra frente.. adoro cambalhotar...

    mas uma vez numca apresentação de teatro eu fui dar uma especie de mortal... q eu tinha ficado a semana inteira treinado, e cai de bunda no chão nomeio do palco, ainda bem q eu era um palhaço de peça infantil.. heheh

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  2. Superar desafios... alguns difíceis, outros fáceis e uns ditos impossíveis.
    "Mais vale tentar e errar do que não tentar", é uma frase que sempre curti. Nunca fui dos mais audaciosos, ousados, mas diante de todo desafio que me apareceu, procurei enfrentá-lo. Às vezes, não estamos preparados para estrelas, só para cambalhotas, mas é ao ser desafiado para as estrelas que temos que nos superar.

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  3. Gostei muito Mattoquela. Adorei, na verdade!

    Realmente, passamos dias após dias nos superando, e a cada superação buscamos uma nova meta a ser alcançada.

    To aqui na luta, já sabendo que depois vêm outra!

    Pois é, entre uma "estrela" e outra, que bom que temos os amigos pra uma cervejinha!

    :)

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  4. A gente reclama reclama dos problemas. Mas como eles são importantes, ajudam- nos de uma cambalhota sair uma estrela.

    Eu, particularmente, sou meio metida, nunca cismo com as cambalhotas, cismo com as estrelas, cismo com o voar, cismo sempre com o mais difícil.

    Que a vida nos coloque sempre obstáculos como estrela, para que cada vez mais superemos a nós mesmos.

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  5. a gente virava estrela e plantava babaneiras!
    ah e vc soh esqueceu de citar que que a vida ja foi rodar pneu no virgem poderosa heuiaheuihauiehiauheuihaeuhauehauiehuhea

    bjos jana virgem poderosa! hauehuiahei

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  6. eu não sei virar estrela
    alguem pode me ensinar?

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  7. eu não consigo de jeito nenhum eu tenho 11 anos já tentei de todo jeito
    :(

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  8. ai eu também não que decepção

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  9. eu não sei mas eu vi no youtube primeiro vc tem que treinar
    treine a altura da maneira que vc souber até pra cima da cabeça depois coloque uma perna de cada vez estou aprendendo não sei ainda
    mas tenho fé

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