29 de março de 2010

Pressa de se chegar a lugar algum



A contemporaneidade promove grandes transformações em nosso dia-a-dia; nas nossas relações pessoais; na cultura; nas ruas; nas profissões e na nossa maneira de agir.
O fato é que com o passar dos anos o homem foi buscando uma maneira de ter mais tempo. Fazer várias coisas simultaneamente se tornou praxe, com a desculpa de se ter o objetivo de aproveitar mais a vida. Seria o caminho para se ter mais vida?
A verdade é que nem o próprio homem sabe mais. Em algum momento o ideal que alicerçava essa vontade de ter mais tempo se perdeu, se é que existiu de fato... E a pressa hoje nos limita, nos impede de insistir em algumas questões, nos torna prisioneiros do nosso infinito atraso, mesmo que não se saiba onde e quando se quer chegar.
Estamos vivendo a “Semtemporaneidade”, ninguém sabe justificar o porquê, mas todos aceleram o passo mesmo que estiverem com tempo para chegar ao destino, mandam email enquanto se poderia ligar, tornam frias e virtuais relações que poderiam muito bem ser vividas de uma maneira mais presente. Afinal, onde mesmo queremos chegar?
Tudo se pode tendo um “ipode”, carta é coisa do passado, jornal impresso vai sendo esquecido, TV cabe na palma da mão, todos estão “online”. E a modernidade que se compra num dia, fica ultrapassada no dia seguinte. Afinal, onde mesmo queremos chegar?
Nessa eterna ciranda, quer dizer eterna não, porque eternidade é muito tempo. Nessa ciranda seguimos, achando que é normal questionar “Tudo bem?” sem de fato querer ouvir uma resposta. Corremos para ter mais tempo. Deixamos as pendências para fazer na folga, e então nesse dia não temos mais tempo. Sabemos que queremos ter mais vida, mas acabamos a prejudicando com o stress e a pressão que fazemos sobre nós mesmos.
Afinal, onde mesmo queremos chegar?
Que tal tentarmos outro caminho? Onde ele dará eu não sei, mas já não sabemos mesmo, que diferença faz? Se passarmos pela vida de uma maneira mais tranquila, aproveitando os momentos, sabendo ver a felicidade nas coisas simples, dedicando um tempo a nós mesmos, um tempo ao próximo, um tempo pra solidão, um tempo para o companheirismo, um tempo para falar, para ouvir, um tempo para usar papel e caneta, para o abraço, para o som, para as cores... Continuaremos sem saber onde vamos chegar, mas sem dúvida passaremos por uma trajetória mais feliz.

24 de março de 2010

Cantiga para tempos modernos


Estava a moça em seu lugar
Veio o carro a buzinar
Buzina no carro
O carro na moça
A moça a gritar

Estavam as mãos a trabalhar
Veio o calor fazer suar
Suor no calor
Calor nas mãos
mãos na buzina
Buzina no carro
O carro na moça
A moça a gritar

Estava preocupado em ir pagar
Veio o esperto a roubar
Rouba o esperto
Esperto não paga
Paga o preocupado
Preocupado suando
Suor no calor
Calor nas mãos
mãos na buzina
Buzina no carro
O carro na moça
A moça a gritar

22 de março de 2010

Diálogo SEMtemporâneo


Ela diz: Talvez...
Ele diz: Quem sabe?
Ela diz: Agora?
Ele diz: Um dia...
Ela diz: Estou a mil!
Ele diz: Preciso de CALMA, LIVROS E FILMES...
Ela diz: Adeus.
Ele diz: Até logo!
Ela pensa: Filho da puta, me deu um fora, não sou nada do que ele procura... Foda-se! Estou atrasada. Vou pra editora de LIVROS ...em que eu trabalho e mais tarde alugo um FILME.
Ele pensa: Será que até amanhã ela se ACALMA?

Pessoas SEMtemporâneas do mundo contemporâneo, menos pressa e mais atenção!